Na higiene ocupacional, a Varredura de vapores orgânicos (30 agentes ou mais) é vista como uma solução rápida e econômica, no entanto, apresenta limitações técnicas relevantes que podem comprometer a confiabilidade dos resultados em ppm. Portanto, não é recomendada nem confiável para fundamentar Laudos de Insalubridade ou Aposentadoria Especial e sim funcional apenas para identificar um agente químico em uma determinada amostra.
A varredura é indicada apenas para identificar quais agentes estão presentes no ambiente quando ainda não se sabe quais contaminantes podem existir, por exemplo:
Uma amostra de Tolueno é coletada com seu método NIOSH 1501 e outra em varredura de 32 agentes método NIOSH 2549 (com Bomba ou OVM pássivo) onde desses 32 agentes, um deles é Tolueno, ambas coletadas ao mesmo tempo, no mesmo funcionário. Na amostra singular de Tolueno (NIOSH 1501) foi encontrado o valor de 25 ppm, e na Varredura 4 ppm para tolueno, qual é a amostragem valida? A do método NIOSH 1501 com amostra separada, certo?
E por que isso acontece? A vazão e o volume minimo/máximo do Tolueno é diferente no método NIOSH 1501 se comparado ao método NIOSH 2549, que é um método de Screening, criado para detectar varios voláteis, não para ter precisão. Isso vale para todos os agentes presentes na varredura.
Coletar vapores no modo varredura sem embasamento técnico é um tiro no escuro. Além de inviabilizar a análise dos riscos, você desperdiça o orçamento da contratante, compromete a empresa de medicina ocupacional e coloca em xeque a sua credibilidade como engenheiro responsável. Eis os motivos técnicos:
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O GC-FID é excelente pela sensibilidade, mas quando a mistura é muito complexa e volátil, a resolução cromatográfica se torna um fator limitante. Se o tempo de retenção na coluna for muito próximo, há risco real de erro tanto na identificação quanto na quantificação. O detector por FID sozinho não consegue diferenciar compostos co-eluidos. |
Isso significa que, se dois compostos eluem juntos ou muito próximos, o detector não distingue suas contribuições exatas na quantidade de ppm.
Na varredura é comum ter grupo com compostos muito voláteis tais quais, compostos aromáticos de volatilidade semelhante, como etilbenzeno e xilenos (o-, m-, p-), grupo C4 – álcoois e acetatos, o qual acarreta em:
Resultado: picos fundidos ou mal resolvidos, o valor em ppm de um composto pode incorporar o sinal de outro analito, superestimando (ex.: 3 ppm → 6 ppm) ou mascarando completamente a presença de um alvo.
O método de quantificação da varredura usada em laboratórios do Brasil tem vazão que varia de 0,01 a 0,05 L/min e Volume mínimo de 2,0 a 30 Litros.
Vamos analisar individualmente o método recomendado para alguns agentes químicos:
| Agente Químico | Método | Volume em L (min/máx) | Vazão L/min (min/máx) |
|---|---|---|---|
| Acetona | NIOSH 1300 | 0,5 a 3 L | 0,01 a 0,02 |
| Benzeno | NIOSH 1501 | 3 a 30 L | 0,02 a 0,2 |
| Acetato de etila | NIOSH 1457 | 1 a 10 L | 0,02 a 0,2 |
| n-Hexano | NIOSH 1500 | 1 a 5 L | 0,02 a 0,2 |
Em uma determinada quantificação de varredura você escolhe uma vazão de 0,02 L/min e jornada de 6 horas, sendo 0,02 x 360 = 7,2 L de volume coletado.
Nesta analise a coleta já esta fora do método para Acetona (coleta o máximo de 3 Litros em volume) e n-hexano (máximo de 5 Litros), pois ao final de 6 horas foi coletado 7,2 L. E isso se repete para outros agentes presentes na varredura de 30 vapores orgânicos.
Conclusão: Mesmo coletando dentro do método recomendado pelo laboratório, e sem erro de análise laboratorial (co-eluição), ainda assim tem o erro de quantificação, pois a vazão e o volume de cada agente não são iguais.
A melhor forma de avaliar vários agentes em uma única amostra é escolher um grupo químico menos volátil, com menor probabilidade de co-eluição e agentes com método NIOSH de análise parecido.
| Voláteis leves + aromáticos leves | Álcoois leves + compostos médios | Aromáticos pesados + alifáticos | Aromáticos de cadeia simples |
|---|---|---|---|
| Acetona | Etanol | Etilbenzeno | Benzeno |
| n-Hexano | 2-Propanol | o-Xileno | Tolueno |
| Benzeno | Metil etil cetona (MEK) | m-Xileno | Etilbenzeno |
| Tolueno | Ciclohexano | p-Xileno | Cumeno |
| n-Heptano | Metilciclohexano | n-Octano / iso-octano | Estireno |
| Diclorometano | Tricloroetileno (TCE) | Percloroetileno (PCE) | - |
Vantagens ao estudar e selecionar melhor os agentes em cada função ou analisar separadamente:
Desvantagem:
Do ponto de vista analítico, a varredura com muitos componentes (30) possui uma combinação de misturas complexas e altamente voláteis, aliada à baixa seletividade estrutural do detector FID, eleva substancialmente o risco de co-eluição, especialmente entre compostos com tempos de retenção próximos.
Além disso, há um desalinhamento metodológico relevante entre os parâmetros de coleta usados na varredura (vazão e volume únicos) e aqueles recomendados nos métodos específicos (NIOSH) para cada agente.
O método NIOSH 2549 ocupacional (screening de VOCs por dessorção térmica) muito utilizado pelos laboratórios em H.O é explicitamente para triagem qualitativa de misturas desconhecidas, não para quantificação precisa em ppm para avaliação de exposição ocupacional.
Portanto a abordagem tecnicamente mais confiável em precisão e confiança para fundamentar decisões periciais ou de saúde ocupacional consiste em:
Embora o custo de análise individual seja maior que uma Varredura de VOCs, a confiabilidade é essencial.
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